visualizações de minhas páginas de poemas depressivos

domingo, 10 de abril de 2011

FELICIDADE MORBIDA




O que seria da vida 
Sem a luz da tua alma a me lumiar 
Como seriam os meus dias 
Sem o ardor do teu altar 
Pra que caminhar pelas trevas 
A procura do lenitivo 
Se hoje podemos encontrá-lo 
No declínio do teu abismo 
É mórbida flor, porém 
Delicada e deslumbrante 
Que sacia tão voraz vazio 
Do meu semblante 
É fruto negro e proibido 
É lança no peito ferido 
São ondas que tocam as nuvens 
E inundam o pequeno infinito 
Um castelo de espelhos 
Na areia do meu tempo 
O sangue quente derramado 
Das veias do desespero 
É nobre escuridão 
Que devora as estrelas 
É o frio do coração que 
Congela minha tristeza 
Vivo pela morte 
Numa sede vampirística 
Do livro sou as páginas 
Macabras e místicas 
Reflito no teu ego 
A imagem mais nítida 
Do alquimista a procura 
Da amarga utopia 
Sinto calor em teus lábios 
Escuros no beijo 
E vejo a lua através 
Dos teus olhos negros 
Sigo pregado em tua cruz 
Ferido pelos espinhos do teu ódio 
Envelheço mil anos 
Por segundo ser tão lógico 
São as asas que ardem em chamas 
E me levam ao vale da solidão 
Onde encontro meu abrigo 
Em tal sentido sem razão 
Pois tu és canção lírica 
Que reluz minha alma agora 
Teu sentimento obscuro 
É minha felicidade mórbida

--††-Na noite sou livre-††--


No vazio de toda noite 
Me sinto tão livre, tão liberta 
Não preciso mais daquela foice 
Agora estou com a mente aberta. 

A lua em silêncio me observa 
A brisa leve toca meu rosto 
Esse é o paraíso que me reserva 
A parte de minha vida que tenho gosto. 

É nesse maravilhoso momento do dia 
Que desperto meu ser escondido 
Me livro de toda melancolia 
E me entrego ao sentimento proibido. 

Quando o dia volta a raiar 
Começo de novo a ver rostos 
Rostos que gostam de enganar 
Com suas falsidades e injúrias que dão desgosto. 

Por isso prefiro a noite perambular 
Pois assim não haverão rostos com os quais odiar.